Destaques

Opinião

PremiumVozes e silêncios junto ao Reno

A recente mensagem endereçada por Emmanuel Macron aos europeus (DN, edições de 4 e 9 de Março) é significativa a vários títulos. Ela confirma o carácter voluntarioso do presidente gaulês. Importa não esquecer o milagre político de 2017. Ele chegou ao Eliseu num raide eleitoral que arrasou todos os obstáculos pelo caminho. Tomou nas mãos a bizarra Constituição da V República, como se esta tivesse sido escrita mais para ele do que para De Gaulle. Tinha 39 anos, numa UE onde 42,8 anos era a idade mediana dos seus mais de 500 milhões de habitantes. Energia e juventude não lhe faltavam. Contudo, nem dois anos passaram e a situação mudou sombriamente. Macron foi perdendo a simpatia de muitos dos seus eleitores. Uma política externa errática, onde a venda de armas aparece bem acima da retórica dos valores. As reformas laborais transformaram-no num alvo de crítica, muito para além dos sindicatos e da constelação das esquerdas, pela abertura aos rituais e dogmas do ordoliberalismo do vizinho germânico. A abolição do imposto sobre as grandes fortunas em paralelo com o aumento das taxas sobre os combustíveis fósseis, revelaram a sua estranha conceção fiscal da repartição dos custos sociais da indispensável transição ecológica. Pior ainda, desde novembro ocorrem todas as semanas manifestações dos coletes amarelos, transformando Macron no alvo de um insólito bullying político. Como resposta, Macron abriu os cordões à bolsa fazendo disparar o défice orçamental para cima dos 3%. Se fosse Lisboa, seria a catástrofe. Mesmo com Roma, houve uma dramatização. Com Paris, a transgressão ocorreu sem dramas. Berlim e Bruxelas olharam para o lado. Os europeus são distraídos, mas há coisas que é impossível não notar...

Viriato Soromenho-Marques

PremiumOlha o robô, é pra menina e pro menino

A automação e a robotização têm vindo progressivamente a alterar o nosso quotidiano e o mundo como o conhecemos. A vida, hoje, é muito mais confortável com a caixa automática do supermercado, com a impressora 3D e com tantos outros gadgets que surgem quase diariamente. Ainda não nos tínhamos acabado de entender cabalmente com o GPS do automóvel e eis que surgem já testes com veículos de condução autónoma. A tecnologia parece querer assegurar-nos, cada vez mais, que tem cada vez menos limites na sedução e na busca do nosso conforto...

Maria Antónia de Almeida Santos

PremiumFoi Centeno quem fez descer os juros?

Há dias a agência de notação Standard & Poor's (S&P) subiu o rating de Portugal, levando os juros sobre a dívida pública para os níveis mais baixos de sempre. No mesmo dia, o ministro das Finanças realçava o impacto que as melhorias do rating da República têm vindo a ter nas contas públicas nacionais. A reacção rápida de Centeno teve o propósito óbvio de associar a subida do rating e a descida dos juros às opções de finanças públicas do seu governo. Será justo fazê-lo?

Ricardo Paes Mamede

Pensas que estás na barraca onde vives?

No outro dia, uma professora perguntou isto à minha filha, que tem 12 anos e está no 6º ano. "Pensas que estás na barraca onde vives?" Ela contou-me, ao jantar, olhar crítico, mas descontração saudável, que tanto me descansa. "Achas bem, mãe?" Primeira (e estúpida) reação minha: "O que é que fizeste para a professora perguntar isso?" Ela, com aquele ar incrédulo dos pré-adolescentes: "Só estava torta na cadeira, mãe. Achas bem uma professora perguntar isso?"

Catarina Pires

Praguejar é um alívio

"Puta que pariu..." De todas as asneiras do vernáculo português, esta é a minha preferida. Não é a que gritamos quando nos salta a tampa, não é para este sítio que mandamos alguém que se atravesse à má fila num cruzamento quando o sinal está verde para nós. Esta é a que deixamos escapar de mansinho, entre dentes, acompanhada de um abanar de cabeça quando estamos desapontados com o mundo, quando olhamos para a cagada que acabámos de fazer por entornar a água toda do esparguete em cima da bancada, quando reparamos que há 35 pessoas à nossa frente na fila das Finanças ou quando percebemos que, apesar de serem oito e meia da manhã, já não há mais senhas para renovar o Cartão de Cidadão.

Paulo Farinha

Os troncos de Doha

Como tudo no Qatar, atravessa-se algum deserto para lá chegar. E o Centro Nacional de Convenções de Doha, nos arredores da capital do emirado, não escapa a esse destino de saltar do fundo da areia e ficar a pairar como uma verdadeira miragem arquitetónica sobre a paisagem. Quando se o vê pela primeira vez fica-se como aqueles saloios que se deslumbram com maravilhas nunca vistas no seu território, é que ao aproximar-se da enorme estrutura descobre-se que está apoiada em dois grandes troncos.

João Céu e Silva

Insider

Nova versão dos AirPods tem carregamento sem fios e ativação da Siri por voz

Mais um anúncio "surpresa" por parte da Apple. Pacote mais completo dos auriculares vai custar 229 euros. Habemus uma nova geração dos Apple AirPods. O anúncio foi feito esta quarta-feira e o destaque vai para o facto de haver uma opção dos auriculares em que a caixa que guarda os auriculares suporta carregamentos sem fios. Os novos AirPods também passam a suportar a ativação da assistente digital Siri através de comandos de voz. Na primeira geração já era possível falar com a assistente, mas para ativar a funcionalidade era necessário dar dois toques no auricular. Com o novo modelo basta [...]

Volvo quer instalar câmaras nos carros para prevenir condutores alcoolizados

A fabricante de automóveis tem um plano para colocar a tecnologia ao serviço da prevenção rodoviária. Apesar de já estar a ser alvo de críticas que consideram esta novidade um abuso de privacidade, a Volvo quer colocar estas câmaras para avaliar o comportamento dos condutores. Na lógica da Volvo, ao instalar estas câmaras no habitáculo será possível monitorizar os movimentos oculares dos condutores, para perceber se estão alcoolizados ou distraídos durante a condução. E isto inclui também eventuais olhadelas prolongadas para o smartphone ou outra atividade que possa prejudicar a condução e, eventualmente, levar a um acidente. Se este sistema [...]

Ver Tudo

O método Desperdício Zero de Bea Johnson

“Por definição, quanto menos temos, menos temos de guardar, limpar e manter.” A ideia de Bea Johnson – que graças ao seu livro e conferências se tornou numa espécie de guru da reciclagem – parece simples. Mas num mundo em que estamos habituados a acumular bens, dos mais valiosos aos mais básicos, seguir os seus conselhos já não é assim tão simples. Exige, para começar, uma forte dose de contenção em relação ao futuro do nosso planeta e, claro, também de vontade para mudar de hábitos. E é precisamente neste segundo aspeto que esta francesa é uma verdadeira perita, tanto que conseguiu converter os seus conselhos num livro: “Desperdício Zero, Simplifique a sua vida reduzindo o desperdício em casa”. Um guia doméstico que já foi traduzido para 20 línguas e que chegou a ser um bestseller em vários países. Uma prova, assegura Johnson, de que o tema da redução de resíduos em casa interessa (e muito), “ainda que, no início, se tenham rido de nós”. Quando fala no plural, Johnson refere-se à sua família, que se converteu no seu aliado mais forte e com quem protagoniza fotografias e vídeos, tanto no Instagram como no Youtube, onde acumula subscritores e centenas de milhares de visualizações.Cada um de nós gera cerca de 1,5 kg de resíduos diariamente. Cerca de 440 kg anualmente. Chamamos resíduos a tudo aquilo que acaba no lixo ou na incineradora sem possibilidade de ser reciclado. Quase meia tonelada de embalagens de plástico, peças, bolsas, latas, pilhas, aparelhos eletrónicos, etc. Segundo um relatório do Banco Mundial, publicado em 2016, em todo o mundo produzimos cerca de 1300 milhões de toneladas por ano. Um número que não para de crescer e que se poderá tornar insustentável se não fizermos algo para o evitar rapidamente. Obviamente que são necessárias medidas políticas públicas e uma consciencialização por parte das grandes empresas – os gigantes da alimentação, por exemplo, oferecem, atualmente, soluções de compromisso para reduzir as embalagens plásticas – para reverter esta tendência. Mas também é certo que o que cada um faz em casa pode ajudar muito. E é aqui que entram em jogo as práticas que Bea Johnson tem desenvolvido desde há uma década. O resultado, segundo a própria no seu website, é chamativo: todos os resíduos gerados pela sua família ao longo ano cabem num frasco de vidro. Ao vermos as centenas de sacos que cada um de nós deposita no lixo, damo-nos conta de que, pelo menos, vale a pena escutar o que Johnson nos quer propor. Porque o que nos propõe é do nosso interesse.O método Desperdício Zero que a autora francesa propõe resume-se a cinco regras: Rejeitar (“esta é a mais importante, aprender a dizer não àquilo que não precisamos”), Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Compostar. Há dez anos que a sua família segue estas regras e parecem funcionar bem: “Concentramo-nos em ser, em vez de ter”, diz Johnson.

DN Ócio

Kanazawa: favas com ouriço e uma viagem ao Japão com o chef Paulo Morais

Quando se entra no pequeno restaurante de oito lugares ao balcão, atrás do qual Paulo Morais prepara os pratos a servir, é como se se viajasse até ao país que inventou a cozinha kaiseki, extraordinária de tão sofisticada e tão simples. A experiência vale cada cêntimo. Texto de Catarina Pires Favas com ouriço assado e espuma de água do mar. Foi com este amuse-bouche, ou sakizuke, acompanhado de um sake levezinho que o paladar se deixou conquistar para os oito pratos seguintes do menu deste mês naquele que chamam de «o japonês mais exclusivo de Lisboa». Paulo Morais detesta favas, [...]

Le Monumental: o hotel das estrelas no centro do Porto

Um edifício emblemático numa das principais praças da cidade do Porto. Local (quase) idílico para o novo hotel de cinco estrelas que desde novembro está em plena Avenida dos Aliados. Lá dentro há mais estrelas, um chef francês candidato à distinção Michelin. Texto de Filipe Gil Depois de anos ao abandono, o número 151 da avenida dos Aliados, no Porto, teve obras de recuperação que ao fim de três anos deram lugar ao Le Monumental Palace, o primeiro hotel dos franceses da Maison Aibar em Portugal. Aberto em finais de novembro do ano passado, no chamado soft opening - que [...]

Lampreia e galeotas: ingredientes sazonais do novo menú do The Yeatman

O restaurante gastronómico do The Yeatman, em Vila Nova de Gaia, é o único com duas estrelas Michelin no norte de Portugal. Ricardo Costa, chef que liderada a cozinha deu-nos a conhecer as novidade do menu sazonal recentemente apresentado. Texto de Ana Isabel Pereira/ V Lampreia, galeotas - um produto específico de Aveiro -, lampreia, ouriço-do-mar e leitão são alguns dos ingredientes trabalhados pela equipa de Ricardo Costa. Veja o vídeo para conhecer as novidades.